quinta-feira, 26 de maio de 2016

Uma pitada de cautela


Sinceramente, acho essa disputa gastronômica uma bobagem, um desperdício de energia. Enquanto os grupos ficam se alfinetando ao se chamarem de mortadelas e de coxinhas (ambos os tratamentos soam como acusação), há muitos políticos, dos mais diferentes partidos, se deliciando com champanhe francês à base de muita propina. Para eles, trouxinhas somos todos nós, mortadelas, isentões e coxinhas. Todos os que trabalhamos e que pagamos impostos. Todos os que levamos o Brasil a sério.
Já que a questão é culinária, é bom lembrar que o assunto é sério, que o caldeirão está fervendo e que nós estamos participando de um ritual antropofágico. Não como canibais, mas como alimento. Somos nós que estamos em pleno cozimento.
Apesar de sermos todos guerreiros, não haverá honra alguma em sermos devorados. Os que preparam a caldeirada (e são muitos os "chefs de cuisine") estão subestimando nossa força e inteligência.
Não podemos infantilizar a discussão. É preciso buscar argumentos válidos, não cair na falácia. A situação é grave. Não podemos reduzi-la à cozinha ou todos acabaremos, crus ou cozidos, numa bandeja.

domingo, 22 de maio de 2016

Sonho meu

Curioso...
Noite passada tive um sonho tão esquisito... Sonhei que, num discurso, as estratégias de convencimento eram embasadas em argumentos sólidos, que podiam até ser de natureza diferente, mas que o fundamental era conferir credibilidade àquilo que estava sendo dito.
Nesse meu sonho, o discurso tinha a finalidade de apresentar o ponto de vista de seu autor e até de tentar convencer o interlocutor (vai que dá certo), mas não havia nada relacionado a agressões, deboches e ofensas para atingir seu objetivo (me parece que esses eram elementos de opressão, não me lembro bem). Havia só mesmo a apresentação de argumentos plausíveis que provocassem a reflexão no receptor da mensagem.
Veja só, se sonhar com isso já não fosse suficientemente absurdo, no sonho, as pessoas conseguiam conversar, bater papo, discutir sobre História e até sobre política sem que isso obrigatoriamente terminasse em brigas, rompimentos, mágoas e raivas profundas. Havia um negócio bem sinistro que se chamava diálogo e as conversas, muitas vezes, provocavam no outro o desejo de conhecer a essência do assunto discutido. Pasme, vezes terminavam até em pesquisas. Outras terminavam em decisões advindas do seguinte questionamento: legalmente, o que é que posso fazer para mudar isso? (Tinha uns troços muito loucos, tipo: assinar petições públicas, acionar o Ministério Público, participar pacificamente de manifestações e outras coisas das quais eu jamais havia ouvido falar).
Eu sei, isso tudo é surreal, mas o que mais me impressionou mesmo foi que, no sonho, concordar e discordar não eram pecados mortais.
Sonhei que discurso de ódio e que vociferação gratuita eram estratégias estéreis e que todos sabiam disso.
Eu, hein! É cada coisa maluca que a gente sonha... Melhor eu continuar olhando pro céu que a noite está linda. Daqui a pouco é hora de sonhar novamente.

23.04.2016