sábado, 21 de maio de 2011

Liberdade, liberdade

É fato que aboliram oficialmente a escravatura no Brasil em maio de 1888. Maio evoca Liberdade.

É também fato que as heranças pungentes da escravidão permanecem em nossas piadas, hábitos, costumes, canções e outras coisas mais. Liberdade. Palavra tão propalada, mas árduo trabalho de construção. 

No Brasil ou em qualquer cantinho do mundo, ainda que estejamos no terceiro milênio, o ser humano mantém em seu DNA a imperativa vontade de dominar. A humanidade parece estar vocacionada à segregação. Pela  cor, pelo sexo, pelo poder, pela economia, pelas enfermidades, pela força, pela orientação sexual, pelo berço, pela religião. Tudo parece ser motivo.

É verdade que a sociedade tem espalhado sementes de diálogo e que aos pouquinhos vão nascendo a reflexão, o entendimento, a compreensão e as atitudes modificadoras dos padrões estabelecidos. Mas aí mesmo, para a modificação do comportamento  padrão, é que é ainda mais necessário o exercício da tolerância. Tolerância é coisa rara de se ver. As relações humanas são cheias de imposições.

Que o ser humano, individualmente, vezes, parece pensa mesmo que o mundo gira ao redor de seu próprio umbigo e que tudo aquilo que difere de suas convicções do que seja certo esteja radicalmente errado. O que é certo? O que é errado? Jamais podemos esquecer a História. Lá, nos registros do passado, está a chave para a compreensão dos nossos tempos, da nossa cultura e para a construção de um futuro mais livre. E preciso ter humildade e reconhecer que muita coisa que um dia já nos pareceu certa, hoje é comprovadamente equivocada. Recorrendo à História quantos equívocos não podemos ressaltar?

Liberdade é exercício. Ser livre e deixar o outro livre é aprendizado. Demanda uma dose imensa de coragem. Para a conquista da Liberdade é necessária a prática do respeito, da aceitação, da generosidade, da coragem de reavaliar os próprios  conceitos, para libertar-se dos conceitos pré-concebidos. Do contrário, o que se consegue é uma liberdadezinha assim toda minúscula.

Preconceitos são amarras. São grilhões. São ideias petrificadas que nos embotam a capacidade de raciocínio. Bom mesmo é ser livre o bastante para chegar aos conceitos. Para sentir a beleza infinita que há na diversidade.

Que a passagem pelo símbolo da Abolição dos Escravos possa ser o mote para um maio-liberdade-em-flor e que as flores de maio possam ser um dia símbolos da libertação dos radicalismos e das discriminações.


Foto disponível em:
https://pixabay.com/pt/suculento-planta-do-natal-cacto-1922167/

Um pouco sobre as flores de maio:
https://jardim.info/flor-de-maio

4 comentários:

  1. Ótimo texto. Ele fala sobre liberdade e o seu contexto. Como de fato, a liberdade só foi dada no papel pois o ser humano não sabe aproveitar a liberdade que lhe foi dada.
    O caminho é esse mesmo, produzir textos que façam as pessoas pensarem, falarem e até discutirem esse assunto. Assim poderemos aproveitar a nossa liberdade.
    Leonardo Bender Noel

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  2. É...
    O dificil, no ser humano, é superar essa visceral vontade de dominar. Esse é realmente um aprendizado e que necessita, além da ter humildade e da "prática do respeito, da aceitação, da generosidade, da coragem de reavaliar os próprios conceitos", do profundo desejo de mudar de atitude...
    É Marise, você deu uma tocadinha na ferida de cada um de nós com essas reflexões... Quem de nós não já se viu com grilhões presos às canelas?...
    você é ótima
    Maria Inês

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