sábado, 30 de julho de 2011

Maresia

O mar está em mim.
Forma-se. Espraia-se
inscrito em meu nome.

E vem, e bate,
explode, espuma,
e molha e salga.

Vigor, som e tempero.
O mar me curte inteira.

Cheiro forte.
Marulhar.
Beleza.
O mar me encanta e
desassossega.

Despertar de sonhos,
pensamentos vãos...

Noite: espelho negro
o luar reflete.
Prata que liberta
desejos do impossível.

O mar que canta aos ouvidos meus,
acolhe-me a alma e me faz convites.
Se me entrego toda às suas canções
e me deixo inteira escutar seus sons,
ouço seus murmúrios,
crio ilusões.

Em momento tal toda areia é pouca,
já não cabe mais a contemplação.
O meu corpo clama por carinhos seus
e dele me faço sem hesitações.

O mar devolve minhas atenções!
E me revigora, conclama-me à Vida.
E entre beijos-ondas deixa-me partir.

Sigo para a Serra,
às origens torno.
Longe permaneço
até que as saudades
em maré vazante,
fazem-me um rio
a buscar o mar.

E em novo encontro,
sôfrego e cúmplice,
sinto-me preenchida:
Mari-sea.

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