É domingo de outono em Petrópolis. O dia amanheceu ensolarado, o que significa que as copas das árvores se apresentam mais douradas, a temperatura é amena e os passarinhos estão em franco alvoroço.
A gata branquinha, toda esparramada no balanço da varanda, anuncia um dia preguiçoso e feliz propício à leitura, à contemplação e a tudo que confere prazer e tranquilidade à alma.
No som, num volume equilibrado e aprazível, uma playlist de MPB pra lá de sensível e encantadora e a deleitosa descoberta de que tem muita gente jovem compondo umas delícias por aí. Novos e antigos sucessos se alternam acompanhados apenas de uma interjeição: uau!
O café, cheiroso como sempre, já nos despertou e o pão fresquinho e estralante nos acordou o paladar. Agora, na cozinha, o filho e a namorada se esmeram no preparo do almoço, que já se insinua saboroso, posto que o seu perfume tomou conta do ambiente. Eu vou me envolvendo em outras tarefas domésticas para deixar a casa ainda mais acolhedora.
O ipê do meu quintal
Do lado de fora, o presente que me foi dado brota alegremente e me faz pensar que tem gente que vem mesmo para iluminar e florir os dias da gente. Daqui a um tempo, sempre ele, haverá ipê florescendo amarelinho aqui em casa. Também a begônia, que me foi dada em um aniversário, se assanha e começa a exibir suas florzinhas delicadamente rosadas. Sou puro encantamento e gratidão.
A vida corre simples neste domingo e a felicidade vai, aos poucos, simplesmente se espraiando decidida, dizendo que veio pra ficar.
Do quintal, entre uma música e outra, vem o chocalho das folhas espalhadas pelo vento, o que faz sonhar um pouquinho.
Coisa boa é poder deixar a leveza se instalar e curtir um domingo sem maiores pretensões, apenas fruição e mais nada, porque o que é bom mesmo, vezes, mora mais perto do que se imagina. Bora lá desfrutar do que é singelo.
nem imagino como seja a justiça." (O Homem Elefante)
De
todas as maravilhas que o Teatro pode fazer por nós, a que mais me encanta é a de nos colocar frente a frente com o espelho. Espelho da nossa
alma, do nosso tempo, da nossa sociedade e tantos outros espelhos igualmente
necessários e possíveis. Ir ao espetáculo O Homem Elefante no
Theatro Dom Pedro aqui em Petrópolis foi, verdadeiramente, um desses momentos
de contemplação da nossa sociedade e de nossa (des)humanidade no espelho.
Foto divulgada no facebook do Sesi Cultural
Baseada
no texto de Bernard Pomerance, a conhecida história de Joseph/John Merrick, um
rapaz portador da Síndrome de Proteus, uma rara doença degenerativa causadora
de várias e graves deformações em seu corpo e que, por conta disso, virou
atração em shows de aberração na Inglaterra do século XIX , ganha vida com a
Companhia Aberta e nos põe cara a cara com as deformidades de uma sociedade
dura e cruel, que em muita medida, com o passar dos anos, não evoluiu tanto
assim.
Na
peça, o menino, que fora abandonado pela mãe, o jovem maltratado, agredido e
explorado por aquele que o exibia publicamente com a finalidade de obtenção de
lucro, toca nossas sensibilidades e nos traz um olhar aguçado sobre a humanidade
e suas contradições. Ao assistir à peça, é impossível deixar de notar uma
sociedade dura e cheia de dualidades: a mesma imagem que gera repulsa e que
dificulta o estabelecimento de laços afetivos com Merrick é a que atrai olhares
cheios da mais perversa curiosidade e que duramente aproxima as pessoas dele.
Se num primeiro momento, é fácil atribuir a Ross, o dono do circo em que era
exposto, toda a crueldade sofrida por Joseph, com um pouquinho mais de atenção,
não se pode negar o mal que tantos olhares adoecidos e tantas agressões físicas
e verbais lhe causaram.
Na
pele do protagonista, o ator Vandré Silveira nos impressiona e nos insere com
maestria no drama da personagem. As expressões corporais, os gestuais, os
gritos lancinantes de um ser humano acorrentado e querendo se libertar das
torturas físicas e emocionais a que era submetido, não só nos conduzem para o
universo de Merrick, como são capazes de despertar em nós empatia e angústia.
Com a cabeça cheia de sonhos e de sensibilidade,
John nos encanta, emociona e nos faz questionar os valores de nossas convenções
sociais. Em que medida as regras nos protegem? Em que medida elas nos condenam?
Que regras devemos seguir? Em que momento devemos quebrá-las para a realização
de um sonho? É correto alguém impedir a realização de um sonho que não é seu?
A representação da relação entre o rapaz e o Dr. Frederick Treves, o médico que
o ajudou a levar uma vida mais digna, é um capítulo à parte. Longe da tentadora
visão Ross = Mal e Treves = Bem, a peça rompe com o lugar comum do maniqueísmo
e expõe seriamente a relação bondade/vaidade/posse em contraposição à
liberdade. Impossível sair do teatro sem refletir sobre a questão.
A aquisição da oralidade por John é um ponto alto
de sua transformação. Para quem gosta das letras, ver tão explicitamente a fala
como facilitadora para a relação com o mundo e ver tal habilidade se
construindo diante dos olhos é, sem sombra de dúvida, fascinante. Para quem gosta
da Arte, é um prato cheio assistir a relação entre o rapaz e a Sra. Kendal, uma
famosa atriz e amiga do Dr. Traves, se fazendo. A ligação afetiva entre os dois
põe em evidência o quanto a presença da arte pode ser transformadora na vida de
uma pessoa e o quanto pode ser surpreendente olhar além das aparências. Depois
de observar os dois, difícil é não se afeiçoar a John.
Engana-se quem acredita que, com um texto tão
intenso e dramático, o clima fique pesado o tempo todo. Com uma atuação
primorosa de todo o elenco, a Companhia Aberta nos leva do drama ao humor numa
troca de luzes e cenário, num estalar de dedos. Um humor fino, inteligente e
com a precisão cirúrgica imprescindível para a interação com o público.
Ir ao teatro conferir a montagem é constatar que, se a sagacidade, a inteligência e a sensibilidade de John, estiveram inalcançáveis para os muitos que, a olho nu, só viam o homem elefante, o olhar cruel da sociedade estava o tempo todo afiado e à mostra e, ainda assim, não era notado, era tratado com naturalidade. Por si só este já é um bom motivo para comparecer ao teatro, além disso, a peça
é um incontestável espetáculo. SOBRE A MONTAGEM: Texto: Bernard Pomerance Idealização: Companhia Aberta Encenação: Cibele Forjaz e Wagner Antônio Assistência de direção: Artur Abe Elenco: Davi de Carvalho, Regina França, Rogério Freitas e Vandré Silveira Iluminação: Wagner Antônio
Quem me conhece sabe que adoro um
café. Gosto do aroma, da cor, do sabor. O café desperta meus sentidos. Isso por si só
já é uma delícia. Além disso, gosto do ritual de prepara-lo, café bom é café
fresco. E gosto quando se insinua todo perfumando o ambiente e me faz logo
pensar em xícara. Café bom é também o café que nos convida à degustação. É, sou
dessas! Gosto de degustar o café e não apenas de sorvê-lo rapidamente.
Hoje é Dia Nacional do Café, você
sabia? Pois é, soube disso ano passado, quando lia descomprometidamente um
jornal. Viu que chique? O café também tem um dia e o fato de hoje ser o dia
nacional da bebida pressupõe que haja um dia internacional. Segundo Mr. Google,
há, e é comemorado em abril, mas eu quero mesmo é celebrar o 24 de maio. De
acordo com a ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café, a data
simboliza o início da colheita do grão em grande parte das regiões produtoras.
Adoro descobrir essas coisas, mas vamos ao café.
Café pode significar conversa,
pode ser encontro, pode ter cheirinho de reflexão ou gostinho de leitura. Pode
ser um momento de ficar sozinho pensando na vida, pondo as ideias em ordem (ou
não). Pode ser um objetivo ou um
pretexto. Pode ser conclusão ou proposta. Café congrega e faz companhia.
O lugar para tomar café também
importa. Não gosto apenas da bebida, mas do ambiente de cafeteria. Há
verdadeiras delicinhas nesse ramo. Durante algum tempo fazia uma pequena viagem
sempre que queria provar desse gostinho: café e cafeteria totalmente
harmonizados. Saia do Bingen, ia a Itaipava, terceiro distrito de Petrópolis e
lá me deleitava com poesias declamadas nas paredes, o bolo da vovó exposto no
balcão, o vinil rolando um Vinícius e tantos outros na vitrola, o gosto forte
do café produzido num município vizinho, os livros para doação delicadamente
arrumados num pequeno móvel num cantinho e o atendimento cheio de simpatia e
carinho das proprietárias. Vou lá de vez em quando, como resistir?!
Recentemente, o Bingen ganhou uma
gostosura dessas, que felicidade. Num outro estilo, com outra proposta, mas
igualmente harmônica e aconchegante. Belas cores, um chocolate premiado no balcão,
geleias especiais, bolo caseiro que não pode faltar, Edith Piaf e tantos outros
na vitrola, vinho selecionado para acompanhar pensamentos e pratos quentes, o
requinte e o sabor do café caprichosamente preparado, o afeto e o incomparável papo dos meninos, que
dirigem o local. E eles têm ainda uma cafeteria no Valparaíso que, se não
bastasse tudo isso, de vez em quando ainda tem café e violino. A proposta é
ofertar muito além de uma xícara de café e
eles conseguem. Dá pra imaginar?
Por aqui, esses são os meus
lugares preferidos para exercer o meu sacrossanto direito de apreciar essa
bebida milenar. Hoje é dia de celebrar o café e de brindar tudo o que ele
evoca. A amizade, o diálogo, o paladar, o bom gosto, a sobriedade... Tintim!
Que tal comemorar?
Fonte da imagem:
https://pixabay.com/pt/photos/download/coffee-563800_1920.jpg?attachment&modal
Para Leonardo e Mamãe, aqueles que me ensinaram e ensinam a ser Mãe, com imensa gratidão.
Domingo passado foi dia de
comemorar oficialmente o Dia das Mães. Por mais que algumas pessoas nos lembrem
de que esta é uma data que tem um forte apelo comercial e que aquece o consumo,
creio que cabe a cada um de nós limitar essa influência mercadológica em uma
data tão especial. Definitivamente, podemos escolher como celebrar um dia como
esses sem precisarmos aceder completamente ao deus mercado. Um presente pode
ser bem-vindo, mas nem de longe tem que ser o fim. Dia das Mães é dia para
celebrar o encontro (ainda que não possa ser físico), a gratidão e o afeto. Se não for assim, de que adianta presentear?
Já faz 22 anos que ganhei a
maternidade de presente. Ela veio forte,
densa e enriquecedora com todos os ônus e bônus dela próprios. Ônus?! Muitos!
Quem disse que é fácil ser mãe? Incerteza, insegurança, noites sem dormir, seios
doloridos, medo do fracasso, choros (do bebê e da mãe, por conseguinte), dores,
cólicas, fraldas, despesas, cansaço e medo. Um medo do tamanho de um bonde de
não dar conta. Que mãe não passou ou não passa por isso? Tudo isso faz parte
desse universo particular. A vida vira de ponta cabeça com a chegada de uma
criança. Por mais planejada que seja, uma gravidez sempre tem cara, gosto e
cheiro de surpresa. Ainda assim, não conheço uma só mãe, que tenha abraçado a
maternidade, que troque esse reboliço todo por qualquer outra coisa na vida. Eu
também não trocaria. Lembrei-me de uma música do Gonzaguinha: “começaria tudo outra vez, se preciso
fosse, meu amor”. Começaria! Ah, se começaria!
Bem, mas eu também falei em
bônus, não foi? Sim! Cada balbucio da criança é um presente, cada passo, cada
gesto, cada nova atitude é sentida e celebrada. O filhote é capaz de nos despertar
para detalhes antes imperceptíveis. A relação mãe e filho se constrói momento a
momento, no dia a dia, e pode ser maravilhosa. É preciso ter em vista a
construção de uma relação saudável.
É claro que sei que muitas
mulheres não desejam ser mães pelos mais variados motivos, eu as entendo e as
respeito, cada um sabe de si. Também sei que há mil e uma outras maneiras de se
realizar nessa vida, essa está longe de ser a única. É muito importante ter
esse entendimento.
No meu caso, a maternidade era um
apelo desde muito cedo. Ela sempre fez parte dos meus planos e até das minhas
brincadeiras infantis. Meu filho foi planejado e chegou trazendo luz à vida das
nossas famílias. No entanto, nem tudo foi como o idealizado, a família feliz do
comercial de margarina ruiu no meio da infância do pequeno e foi preciso
reprogramar a rota. Não foi fácil, houve uma série de obstáculos a enfrentar,
mas dentro do possível, as coisas foram se acertando e o menino foi crescendo.
Ano passado, aquele bebê lindo, amado e desejado, que chegou prenunciando a
primavera de 1995, completou 21 anos. Coisa emocionante olhar para o homem
correto, honesto, amoroso e cheio de personalidade que ele se tornou. Educar não é nada fácil, requer uma série de
ponderações e de escolhas e a grande verdade é que a gente morre de medo de
errar e que muitas vezes erra mesmo. Mas tudo o que não se quer é prejudicar um
filho e olhar para o Leonardo e vê-lo um homem feito, cheio de bom senso e amorosidade,
capaz de cuidar da sua própria vida, dá uma certa paz ao coração. A fase agora
é outra, cheia de desafios e de aprendizados. Nessa vida de ser mãe, a gente vai aprendendo
durante o percurso e é preciso ter o coração sempre preparado para mudanças.
Vida de mãe é dinamismo puro.
Tenho tido a oportunidade de acompanhar
bem de pertinho a trajetória de alguns de meus amigos e primos nos primeiros
anos da maternidade/paternidade. Como é gostoso vê-los vibrando com cada conquista
de suas crianças! Vira e mexe pego-os surpresos com esse ou aquele traço da
personalidade dos meninos ou irritados com esse ou aquele comportamento infantil.
Muitas vezes, observando-os, revivo minha estrada com o Leo. É sempre
muito gratificante ouvi-los falando de seus rebentos, partilhar de suas
alegrias, dividir angústias. Os pequeninos,
por sua vez, vão me atualizando, vão mostrando o que é mesmo que interessa às
crianças de hoje. São novos brinquedos, novos heróis, novos personagens
infantis, novos gostos e novas cantigas. É lindo vê-los crescer, vê-los ganhando
mais e mais autonomia. Cada vez que nos encontramos há sempre uma novidade. Aprendem
rápido e causam espanto diariamente com a articulação de suas respostas, cada
vez mais bem elaboradas. É uma meninada que me ensina sempre mais que “o tempo
não para”. Que lição importante!
E por falar em lição e em
maternidade, um dos presentes mais bacanas que a maternidade trouxe para mim, foi
a proximidade com a minha mãe. Foi um melhor entendimento do mundo dela, das suas
angústias, dos seus tropeços e acertos. Foi enxergá-la melhor como mulher. Não
sei se com todo mundo funciona assim, mas aprender a ser mãe, me fez amadurecer
como filha.
Falando em mãe, a minha é uma
pessoa que tem uma coragem imensa diante da vida. Diante de todas as
dificuldades propostas, a leveza e a alegria sempre foram/são suas marcas
registradas. Ela é dessas que sempre escolhe sorrir, embora seja inevitável uma
lágrima ou outra. Sente, sofre, chora como todo mundo, mas é de sua natureza
buscar o lado mais iluminado da vida. Pra mim essa é uma proposta de aprendizado
e tanto. Além disso, ela tem uma qualidade que admiro imensamente: a postura de
julgar o menos possível. Tem uma conduta generosa que procura acolher e
entender cada um como é, sem rotular. Mulher de fibra, firme, doce e terna.
Ternura. Está aí uma palavra que
o Dia das Mães evoca. Independente do apelo comercial, é sempre importante ter
um dia, um mês para celebrar, para comemorar, para vivenciar mais intensamente
a importância e a força que essa presença tem e terá na vida da gente. Para
exercitar e saborear a ternura e “dançar na chuva de vida que cai sobre nós”.
Pode ser que você já tenha visto há algum tempo, eu o vi dia desses. Você pode até pensar que o vi com um atraso considerável, já que o curta foi o vencedor do Oscar 2017 na categoria "Melhor curta de animação". Tudo bem, vi com atraso mesmo o filme americano escrito e dirigido por Alan Barillaro e produzido pela Pixar Animation Studios. No entanto, isso não impediu meu completo encantamento com as suas múltiplas possibilidades.
Pode ser sobre mães e filhos e o processo de aprender e ensinar. Pode ser sobre a hora de ter que dar conta da vida da gente. Pode ser sobre levar umas rasteiras da vida e sobre morrer de medo depois. Pode ser sobre ter que vencer esse medo para seguir em frente. Pode ser sobre aprender com o diferente e sobre superar as dificuldades. Pode ser sobre a importância que a amizade desempenha em nossa caminhada. Pode ser sobre olhar a vida de outro ângulo e sobre desenvolver novas habilidades. Pode ser sobre dividir descobertas com os outros e sobre celebrar as conquistas.Pode ser sobre o esforço e o trabalho necessários pra botar a comida no papo. Pode ter essas e muitas outras leituras, é rico, cheio de encanto e sensibilidade.
E você o que vê? (Se ainda não viu, corra lá no youtube e confira.)
Para João Carlos de Miranda e Rossana Rezende Rocha
É sexta, fim de noite e a notícia
chega cortando o coração: o amigo partiu. Dessas partidas sem jeito e
definitivas para o território das hipóteses, como salienta Monteiro Lobato. A
notícia chega de repente e, por mais que a esperasse a qualquer momento, foi um
choque. Diante do fato, comento com meu filho: “Ah! Eu gostava tanto dele!” A
resposta que recebi me pôs a pensar sobre a vida, sobre as relações, sobre a
importância ou a passagem de alguém na vida da gente: “Curioso, mãe, só me
lembro de você falar dele pra mim uma vez.”
O amigo era desses, não precisava
estar presente para ser querido e podia ficar anos a fio sem o menor contato. O
carinho restava intacto e se fazia manifesto à primeira troca de olhares em um
encontro casual.
Conheci o amigo em uma época
difícil de sua vida. Dinheiro curto, incertezas na profissão, um caminho de luz
a garimpar e a esperança de dias melhores brilhando no olhar. Esse era o cara.
Tinha sempre uma piada, um sorriso, uma alegria pra dividir e um jeito alegre e
divertido de contar os infortúnios.
A estrada iluminada foi
construída em caminhada firme ao longo dos anos e no estabelecimento de
parcerias no amor e na profissão, na dedicação dia após dia àquilo em que
acreditava. Daqui de onde eu o via, trilhava feliz, corajoso e agradecido o seu
caminho. Era uma pessoa humilde e solar, dessas que não se esquecem de onde
vieram e que fazem questão de dividir o sucesso pessoal professando diariamente
a simplicidade e espalhando sorrisos por onde quer que passe.
A partida de alguém jovem, no
auge de sua carreira e da felicidade em seu relacionamento afetivo, sempre soa
desconcertante. Parece fora do tom, um tanto desafinada, mas a vida é mesmo cheia de mistérios e não nos cabe questionar, apenas
sentir.
Na vida, muitas vezes nos afastamos de pessoas queridas por motivos vários, por
mudança de planos, por oportunidades de trabalho, por mudança de endereço ou
por muitas outras possibilidades. Vezes ela se incumbe de dificultar o convívio
e tudo bem, o afastamento é pacífico e indolor. Não há saudade, não há planos
para encontros, almoços nos fins de semana, chopinho no bar, nadica de nada. A
vida vem, muda a nossa realidade, segue seu curso livremente e ficamos bem com
isso. O curioso é que muitas vezes o bem querer não se altera, fica latente.
Foi assim com a gente.
Conversando com amigos e amigas
que tinham com ele a mesma relação de respeito e admiração, proximidade quase nenhuma e afinidade muita, pude constatar que ele era assim, era seu jeito, fazia parte de sua natureza passar e marcar indelevelmente a vida dos outros, fazer-se naturalmente querido e vivo em seus corações e memórias. Era de luz, de iluminar, de repartir conhecimento e contentamento,
de enxergar o milagre da vida e de viver. Isso é coisa tão sublime, tão bonita
de se ver.
Em uma rede social, leio a
mensagem repleta de amorosidade escrita por sua esposa, mulher que conheço e admiro, agradecendo a Deus e a
ele pelo privilégio dos anos de partilha, de crescimento mútuo e do laço de
amor ainda mais estreitado na vigência da doença do companheiro. Coisa mais
inspiradora, no mundo das relações líquidas de que nos fala Bauman, o
testemunho de uma relação sólida e feliz em que o descarte não é possível nem
diante da dor ou da morte.
O amigo partiu e o que restou?
Restou a certeza de que há pessoas encantadas que passam pela vida da gente e
que nela, de alguma forma, se instalam por seu exemplo e pelo entusiasmo que
espalham. O amigo era assim, que siga em paz e continue na eternidade sua
missão de candeeiro. Por aqui fica a certeza de que tem gente que é mesmo para além das distâncias, para além do convívio diário.
Das delicadezas de Monteiro Lobato:
Arquivo pessoal - Piso da "Praça da Língua" -
Museu da Língua Portuguesa - SP
E sexta-feira passada, 21/04, foi dia de assistir à estreia nacional do monólogo: "Iscariotes. A outra face." Estreia nacional aqui em Petrópolis?! Exatamente! Que coisa boa, não?! Assistir a uma estreia no Theatro D. Pedro foi, verdadeiramente, um privilégio.
Criado e interpretado por Carlos Vereza, o espetáculo é livremente inspirado no Evangelho Apócrifo de Judas Iscariotes e é fruto de três anos de intensa pesquisa do ator.
O texto, denso, rico e emocionante, convida-nos a olhar a História pela perspectiva daquele apóstolo e, em uma linha próxima da que propõe a Doutrina Espírita, a ter um olhar misericordioso com o atormentado homem que entregou Jesus aos membros do Sinédrio e aos soldados romanos. Além de trazer fatos históricos narrados nos evangelhos.
A atuação de Vereza é primorosa e, com vigor e sensibilidade, nos conduz o tempo todo à emoção e à reflexão, vezes fazendo um link com as maldades humanas na atualidade. Há que se destacar as projeções e os efeitos de som, que nos ambientam nas cenas nos fazendo experimentar a realidade representada no palco. A conexão entre as imagens, efeitos sonoros e a realidade que se quer retratar é perturbadora. Olhar para Judas sob uma ótica mais humanizada, participar de alguns de seus momentos de crise existencial é uma proposta ousada, mas que, sem dúvida, promove o exercício tão necessário de ouvir a outra parte. A polêmica fica por conta de, nessa leitura, Judas ser apresentado como o apóstolo preferido de Jesus. Vale a pena conferir.
Todos os dias os noticiários nos matam um pouco e tentam pôr uma pá de cal na esperança nossa de cada dia. São crimes, guerras, corrupção, crueldades e, ainda, algum absurdo do qual nós nem fazíamos ideia da existência (denúncias de campos de concentração para gays na Chechênia, é isso mesmo?!). Todos os dias o mundo árduo, duro, embrutecido tenta sepultar nossa ternura, compelindo para a morte os nossos mais nobres sentimentos.
Todos os dias o trânsito nos violenta com berros, brigas, xingamentos, freadas bruscas e desrespeito. Todos os dias as relações humanas sofrem com alguma doença degenerativa. Todos os dias as redes sociais vociferam ódios gratuitos pondo abaixo o uso de toda e qualquer estratégia de argumentação. Todos os dias alguém tenta nos manter alienados através de veículos que deviam trazer informação. Todos os dias tem alguém simplesmente replicando notícias falsas e sensacionalistas sem checar a idoneidade de suas fontes. Todos os dias nossa cidadania é violada. Parecemos todos imersos num fluido lodacento que tenta dificultar nosso movimento para a luz e que, se bobearmos, seremos nele submersos. Sob esses e outros aspectos, vivemos uma espécie de via crucis diária.
No que diz respeito à informação, em muita medida, somos nós mesmos que permitimos nosso afundamento nesse pântano de negatividade. Se pararmos para pensar, os meios de comunicação de massa nos servem generosas e regulares refeições todos os dias e o cardápio é quase sempre muito ruim e pouco variado. Mais do mesmo o dia inteiro. No despertar, no café da manhã, no almoço, no jantar e na hora de dormir e, ainda, é claro, algumas "colações" entre cada uma das principais refeições. O menu por vezes é o mesmo dias a fio. Resultado: ficamos impregnados de alguns elementos e carentes de outros tantos nutrientes. Sem nutrir-se, a vida perde sua qualidade ou se esvai. Precisamos, pois, cuidar da nossa dieta. É preciso promover uma mudança de hábitos e ela deve começar em cada um de nós.
Não é que tenhamos que nos manter mal informados. De jeito nenhum! Mas é observar a velha máxima de que quantidade nem sempre é qualidade e de que a alimentação que já vem processada e preparada nem sempre (ou quase nunca) é aquela que nos proporciona melhor qualidade de vida. É necessário dosar, variar, criar e buscar fontes que nos alimentem de maneira mais adequada e balanceada. Isso é urgente. É questão de saúde mental, emocional, física, intelectual e espiritual.
Buscar informação leve também é de suma necessidade para contrabalançar com as inevitáveis notícias densas que circulam por aí e que, invariavelmente, consumimos todos os dias (afinal, é preciso saber da dor, doer-se, agir e também cuidar-se). Essa alimentação mais leve, no entanto, não vem oferecida em bandejas nos telejornais e revistas por aí, elas não estão em destaque, elas não são o prato principal. Não estão nas vitrines. São da ordem do garimpo. Há que buscá-las. Elas podem ser de vários tipos, cabe-nos descobrir aquelas que funcionam melhor para manter a nossa leveza.
Foto de arquivo pessoal
Todos dias a vida nos oferece um tanto de beleza. Flores. Perfumes. Árvores frondosas ou pequeninas. Água correndo no riacho. Cantos de pássaros em lugares prováveis ou não. Sol. Chuva. Nuvem formando figuras ao sabor do vento. Noite. Lua. Estrelas. Cinema. Música. Literatura. Fotos de lugares paradisíacos. Gestos de carinho e gentileza. Sorrisos. Abraços. Beijos. Gostos. Cores. Gargalhadas. Café quentinho e papo com amigos. Almoço em família. Não tudo para todos o tempo todo, mas sempre há uma possibilidade. Na simplicidade, há incontáveis fontes de alegria e apaziguamento.
Todo dia é um exercício de ressuscitar. Romper as barreiras do embrutecimento e das reações imediatistas aos ódios que nos cercam. De filtrar as mentiras e de fazer ressurgirem as verdades em nós primeiramente. Isso é da nossa governabilidade. É de dentro pra fora que se transforma uma vida, um lugar, um país, o planeta. É no trabalho de formiguinha, enxergando com clareza o nosso papel na e para a coletividade. Por falar em formigas e em coletivo, dia desses, li no site do El País a seguinte notícia: "Formigas resgatam seus 'soldados' feridos". A matéria dava conta de que as formigas de uma determinada espécie da África Subsaariana carregam de volta à colônia suas companheiras feridas ou mutiladas durante a caça e que não fazem isso pelo indivíduo, mas pela coletividade, já quase todas as formigas resgatadas, cerca de 95% delas, participam das expedições de caça posteriores, ou seja, elas perceberam que salvar o indivíduo favorece toda a colônia. E elas nem precisaram de empatia para isso, apenas de pragmatismo. A matéria é baseada em um estudo realizado por cientistas do Centro de Pesquisa do Parque Nacional da Comoé, na Costa do Marfim e me fez pensar que, nós, seres humanos, já devíamos ter tido essa sacada: abandonar um é pior pra todos. Em alguns lugares do mundo, as ofertas dessas coisas todas que citei no parágrafo anterior é muito menor do que em outros e aqui esbarramos na solidariedade e na falta dela. Devíamos aprender com as formigas. Alguns de nós já aprenderam, felizmente, haja vista os países que recebem refugiados.
Hoje é Domingo da Páscoa Cristã, dia de ressurreição, de despertar a solidariedade, o perdão, o respeito, o sagrado (independente de religiões, a vida é sagrada), a Esperança para que todo dia possamos exercitar e construir a Paz. Hoje é dia de celebração da Vida. Da vida que supera cada uma das dificuldades e triunfa sobre a morte e sobre o sofrimento. Vimemos um bom momento para lembrarmos disso.
Que sejamos agentes de promoção da vida. Que não nos encharquemos nem contribuamos com aquilo que nos faz mal individual ou coletivamente. Que todos os dias sejam dias de resistir à vaidade, à leviandade, à hipnose das redes sociais, de conviver com a gente mesmo para nos fazermos melhores e melhorarmos o nosso entorno. Que todos os dias sejam dias de despertar o bem em nós mesmos e espalhá-lo por aí. Que todos os dias sejam dias do exercício da Ética e da honestidade, a fim de que consigamos ressurgir melhores a cada dia. Enfim, que façamos renascer diariamente nossos mais caros sentimentos, que os alimentemos e os preservemos. Isso podemos fazer e só cabe a cada um de nós. Que tenhamos força, fé e coragem para esse enfrentamento diário e sigamos o exemplo do Cristo. Que possamos encontrar a beleza em qualquer parte. É tempo de ressurgimento. Tempo de ensolarar a alma da gente. São esses os meus desejos de Páscoa para mim, para minha família e para cada um de vocês.
minha amiga querida, por sua alegria e generosidade
Era uma menina comum, dessas assim iguaizinhas a todas as outras da sua idade. Cabelos loiros e lisos, sempre esvoaçantes na agitação de suas brincadeiras infanto-juvenis. Balanço de cordas na árvore frondosa do jardim, cheirinho de pipoca nas tardes de filmes na TV, amarelinhas e cordas puladas no quintal. Correria barulhenta ao redor da casa e risadas, muitas risadas. Tinha o riso fácil. Um bom humor a toda prova. Desses que neutralizam a rabugice dos amigos mau-humorados. Ria até mesmo das próprias resmungações.
Nessa moleca inquieta, que por vezes ainda tinha maria-chiquinhas nos cabelos, morava um espírito curioso que empreendia muitas viagens através dos livros. Ah, os livros! Quando descobriu a dimensão de seus mundos, não houve quem tivesse o poder de afastá-la deles. Eram histórias interessantes, engraçadas, misteriosas, cheias de gafes e que muitas vezes provocavam nela generosas gargalhadas.
Lendo e relendo, a menina foi folheando um universo ora na realidade, ora na ficção e povoando sua vida de narrativas e personagens. O mundo vinha para ela "filtrado através das palavras", como diria o escritor Affonso Romano de Sant´Anna. Palavras e sentimento. Palavras e sensações. Palavras e lágrimas. Palavras e compreensão. Palavras!
Desejava sempre mais e mais leituras de escritores variados, sem se dar conta de que a essa altura já estava completamente apaixonada por um gênero literário específico: a crônica.
Devorava as crônicas com a avidez de um homem adulto que tem a necessidade de um prato fundo e com a curiosidade da moça que ia se tornando. Assim, alguns nomes iam ficando familiares: Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Otto Lara Resende e tantos outros. Sorvia esse banquete de letras associadas incontinentemente.
"Para gostar de ler" era essa a coleção que reunia seu tesouro mais precioso. Tesouro igualmente par e variado.
Aos poucos a loirinha foi percebendo que buscava nesses livros um nome específico. Desse modo, todas as vezes em que pegava os livros, corria os dedos afoitos entre as páginas para ler o seu dileto. Com o passar do tempo, o dileto foi ficando tão dileto, que já não o queria mais assim embaralhado entre outros autores. Ela o queria só e o desvendava mais e mais.
Primeiro vieram as histórias, a maneira de contar um fato corriqueiro, as palavras comumente por ele usadas, a descoberta do estilo, a adivinhação dos vocábulos seguintes. Aos poucos foi descortinando o cara que havia atrás das páginas impressas. Era natural que perguntasse para si mesma quem era esse moço que a encantava tanto.
Não lhe bastavam as crônicas. a essa altura precisava preencher-se dessa alma. Pesquisava sobre o dileto, conhecia seus hábitos e seus desejos. Degustava fotos e biografias. Os olhos adolescentes tinham particular interesse pelas fotos. Analisava-as cuidadosa e detalhadamente. Não tardou que os pequenos e brilhantes olhos dele lhe chamassem a atenção e desejou ver-se refletida naquele par de espelhos. Apaixonou-se.
Experimentava a todo tempo maneiras de estar próxima, ainda que não geograficamente. Quis ser mineira: foi devagar que tinha pressa. E ter mais gosto: tutu de feijão com torresmos. E sobremesa: goiabada cascão com queijo palmira. E passo a passo foi adentrando o mundo dele e se encantando mais e mais.
Havia algo que ele admirava imensamente e, a medida que o tempo passava, ela ia se tornando. Ele era um grande admirador da mulher e era para lá que a menina ia seguindo, inevitavelmente.
E que mulher! Viveu paixões. Primeiro beijo. Primeiro namorado. Estudou. Trabalhou. Despertou diversas atenções. Faceira, andava de bicicleta pelas ruas da cidade imperial a entregar jornais, uma maneira bem alfabética de ganhar a vida. Sorveu a História da cidade onde morava observando gente, árvores e prédios. Viu diferenças. Namorou o Teatro. Experimentou os palcos e gostou. E foi gerando um banco de dados de óptica pessoal, que passou intensamente por essa etapa. Mais namorados, mais descobertas, mais lágrimas, mais sonhos e gargalhadas. A mulher recém-nascida conservara intacta a habilidade do humor. Que bênção!
Encontrou o amor e despertou a mais intensa e íntima mulher que havia em si. Tornou-se mãe. Conjugou pacientemente os verbos aguardar, evoluir, surpreender e foi felicidade muita quando os dois pequenos começaram a juntar as letrinhas para escrever e ler o mundo em que viviam. Letras, palavras, orações, períodos, frases, textos, capítulos, romances, coleções inteiras. A vida ia passando num crescente, como acontece com a obra literária. Literária... palavra mágica! Filhos crescidos, foi cursar Letras.
Teoria da Literatura. Comunicação. Prosa. Verso. Rima. Métrica. Compasso. Enjambement. Estudos. História. Gramática. Sintaxe. Latim. Diretório Acadêmico. Semana de Letras. Amigos. Gêneros literários, CRÔNICA e... ELE, o preferido. Ela, que sempre dividira com a família os seus prazeres literários iria agora estudar seu ídolo nos bancos da faculdade e enxergá-lo à luz da Literatura.
Respirou fundo, cruzou a fronteira. Escreveu carta e obteve resposta. As letrinhas dele lhe chegaram no rosto de um livro, sob forma de presente e dedicatória. O autor do outro lado das linhas foi, algumas vezes, o leitor dessa mulher. E a leu de maneira competente. Ele teve medo de sofrer? Boa pergunta. Embora o encontro marcado nunca acontecesse, ele deixara nela, irremediavelmente, a mais terna e preciosa herança: adulta, ela acredita em estrelas e invariavelmente vai buscá-las.
Era uma noite de quinta. Fazia calor e o céu vestia-se de modo atraente, embora os ventos denunciassem que estava próxima uma mudança de tempo. Saímos de casa para encontrar Lima Barreto e João do Rio no Theatro D. Pedro e, devo dizer, que foi um encontro fascinante.
É verdade que Lima era já aquele, em muita medida, sequestrado pela bebida e vítima do alcoolismo e que João estava demasiadamente perturbado com os apelidos maldosos que a sociedade do início do século XX lhe impôs, ainda assim a riqueza daqueles dois sobressaía a essas tristezas que a vida às vezes decreta.
Os dois nos trouxeram generosamente um pouco de suas biografias e, em seus diálogos delirantes, nos mostraram a dor e a delícia que pode trazer a cada autor o dom para a escrita. É que essa sensibilidade tão aflorada muitas vezes fere e não são raros os exemplos daqueles que não conseguiram lidar com ela sem anestesia, ou mesmo daqueles que não conseguiram a ela sobreviver.
Em dado momento, ambos protagonizaram um julgamento que bem nos faz refletir sobre o lado cruel da sociedade em que não importa o que se diga, o que se faça, o que se apresente ou mesmo os fatos, julga do mesmo modo. Em alguns casos, a conclusão e o veredicto social é sempre o mesmo e viciado. A sociedade julga e rotula desde sempre e isso não é exatamente uma novidade. Novo é ver o processo se fazendo diante dos nossos olhos com humor e ironia.
Não se pode negar que saímos de lá meio mexidos com essa coisa inevitável que é a morte na vida da gente. Igualmente não se negará que é belo e pleno de força constatar que Lima e João estão vivos e atuais em cada um dos textos produzidos pelos autores e que seus personagens renovam suas forças.
A mim, particularmente, Lima sensibilizou mais até por confundir-se ali, bem na minha frente e de maneira tão explícita, com Policarpo. Mas foi João que conduziu muito bem o espetáculo e puxou, do fundo de nossas almas absorvidas pelo Rio de Janeiro confuso e ambíguo da Belle Epoque, um olhar humano e terno para dois autores de um tempo que parece distante, mas que, sob alguns aspectos, se repete um século depois.
Foi um encontro adorável, em uma noite de reflexões, emoção e encantamento. O Teatro tem sempre essa magia.
PS: Diários marginais – um encontro com Lima Barreto e João do Rio é uma peça teatral da Oráculo Cia de Teatro e, atualmente, vem sendo encenada, através do SESI Cultural, em diversos municípios do Rio de Janeiro, com texto e atuação de Gilson Gomes e Wagner Brandi.